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Um olhar sobre a deficiência visual

Publicado: Terça, 05 de Setembro de 2017, 12h31 | Última atualização em Quinta, 14 de Junho de 2018, 10h28 | Acessos: 4195

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Marília Estevão
Jornalista do IBC

 

O Homem é um ser gregário.  Nasce, cresce e vive em comunidade. É da interação com os demais membros dessa comunidade que ele se desenvolve, cria laços, adquire competências que tornam sua vida viável, interfere no próprio espaço e no entorno, num processo de comunicação verbal e não verbal contínuo.   Tal processo  inicia com a vontade de expressar ideias e emoções das mais diversas formas, encerra com o ato comunicacional efetivado e se retroalimenta com a comunicação do outro - aquele com o qual interagimos. 

Enfim: viver é se comunicar, o que só é possível graças ao nosso sistema sensorial formado pela visão, audição, tato, paladar e olfato.  Logo, qualquer coisa que tolha essa capacidade do ser humano implica necessariamente a diminuição de sua qualidade de vida, na medida em que ele passa a ter reduzida a autonomia  de fazer o que precisa,  para atingir seus objetivos, realizar seus sonhos ou simplesmente sobreviver. 

No mundo multisensorial em que vivemos, o sentido da visão ainda é sobrevalorizado pela grande maioria das pessoas.  Perdê-la costuma ser uma tragédia pessoal e social.  E é compreensível que seja assim.  Afinal, o simples ato de abrir os olhos informa a quem enxerga, o que existe e acontece naquele momento específico, diante de si. A visão tem um caráter sintético que os demais sentidos complementam. Daí a imensa desvantagem para quem não a possui total ou parcialmente. 

Contudo, uma desvantagem não é impeditivo para autorrealização de ninguém, mas sim uma dificuldade a ser vencida -  principalmente nos dias de hoje em que, mesmo com atraso em relação a outras nações, conceitos como inclusão social e acessibilidade estão começando a sair dos artigos acadêmicos e discursos politicamente corretos para a prática do dia a dia aqui no Brasil.  Não se pode deixar de reconhecer também o papel das tecnologias assistivas, cujo desenvolvimento está reduzindo a dependência da pessoa com deficiência visual da assistência direta dos videntes. 

Ao se tornarem mais autossuficientes, cegos, surdocegos e pessoas com baixa visão reduzem a desvantagem que têm no processo comunicacional em relação aos videntes e, com isso, encurtam o caminho para a autorrealização profissional e pessoal, com todas as responsabilidades que advêm da capacidade de tomar suas próprias decisões, sem necessidade de intermediários.  Isto é cidadania.

Promover uma educação cidadã às pessoas com deficiências visuais é, em suma, a grande missão deste Instituto, que ao longo de seus 164 anos vêm se reinventando para atender às necessidades que surgem na educação especializada diante de uma sociedade em constante transformação.  

Além de educar aqueles que recebe como alunos, o Instituto Benjamin Constant deve, cada vez mais, se dedicar a difundir não só as boas práticas na educação de pessoas cegas, surdocegas e com baixa visão, como também compartilhar com a sociedade informações que ajudem as demais pessoas a compreenderem diferentes aspectos não só da vida de quem não enxerga, como também da vida de quem enxerga de forma muito diferente dos demais.  De fato, o  mundo da cegueira e da baixa visão é repleto de particularidades, cujo desconhecimento por parte da sociedade gera preconceito, isolamento e, consequentemente, contribui para que a desvantagem de não ver o mundo da mesma forma que os demais se torne um fator impeditivo para esses brasileiros desenvolverem todo o potencial de que são capazes. 

O objetivo desta área do site institucional  é, portanto, ajudar no processo de educação da sociedade brasileira para a pluralidade, através da informação - seja ela transmitida por artigos científicos, por relatos de práticas e experiências, seja por relatos de pessoas que passaram grande parte de suas vidas neste instituto como alunos, professores e servidores.  Esperamos também ser um espaço para todos que, tendo pessoas com deficiência social em suas famílias e/ou em seus círculos sociais, saibam não só como ajudá-los de uma maneira efetiva como também a usufruir de toda a experiência que eles possam transmitir.

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Definição de cegueira e baixa visão

 

 

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