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Comemoração do Dia Nacional do Braille resgata história do Instituto Benjamin Constant

A data homenageia José Álvares de Azevedo, o jovem que foi responsável pela disseminação do código que abriu as portas para a educação de cegos no Brasil.

  • Publicado: Terça, 09 de Abril de 2019, 21h00
  • Última atualização em Quarta, 10 de Abril de 2019, 11h10
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O aluno Ismael Marques Ferreira se apresentou ao piano.
O aluno Ismael Marques Ferreira se apresentou ao piano.

 

A solenidade foi realizada ontem (8) e contou com a presença das primas Maria Alice e Laura Alice Sigaud, descendentes da quinta geração de netos  do Dr. José Francisco Xavier Sigaud, primeiro diretor do IBC.

Maria Alice, psicóloga e professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), contou a história da sua família, desde a vinda do patriarca para o Brasil em 1825, fugindo da perseguição política empreendida pelo Rei Charles X, da França, até a criação, em 1854,  do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, que 37 anos depois  passaria a se chamar Instituto Benjamin Constant.

A plateia, formada por alunos e servidores, ouviram com interesse passagens da vida do antigo diretor que, até mesmo por questões familiares, acabou se tornando um grande incentivador do projeto de criação do Instituto — Xavier Sigaud era pai de uma adolescente cega, Adélia Sigaud, a primeira aluna de braille de José Álvares de Azevedo e, posteriormente, a primeira professora de braille formada no Brasil.  A mais importante dessas passagens foi a audiência em que ele,  Álvares de Azevedo e a filha mostraram ao Imperador D. Pedro II a eficiência do Sistema Braille, convencendo o monarca a abrir uma escola para cegos no Rio de Janeiro, à epoca capital do Império. 

Após a apresentação de Maria Alice, a assessora do gabinete da direção-geral, Maria da Glória de Souza Almeida, fez um discurso emocionado sobre a importância de o dia 8 de abril ser reverenciado por todas as pessoas ligadas direta e indiretamente à educação de pessoas cegas.  "Mais do que o acervo intelectual que Álvares de Azevedo adquiriu em Paris, ele tinha algo muito importante e raro nos dias de hoje: vontade de fazer e espírito coletivo".  Para a professora, a introdução do braille no Brasil se confunde com a história do IBC — uma história ímpar, na opinião de Glorinha.  "Podem procurar em qualquer outra instituição brasileira que não encontraremos outra igual. Muitas vezes somos atacados pela nossa longevidade, chamados de anacrônicos, o que não é verdade", disse a professora, citando os novos desafios que a instituição vem assumindo, como a oferta de educação profissional de nível médio.

O diretor-geral do IBC, João Ricardo Melo Figueiredo, disse que não havia melhor maneira de se comemorar o Dia Nacional do Braille do que estar ali, resgatando o nascimento da educação de cegos no Brasil. " O IBC é uma instituição que vem se reinventando e lutando para dar à pessoa com deficiências na visão condições dignas para que ela possa se tornar um cidadão pleno na sociedade.  É uma instituição que tem um papel histórico importantíssimo no nosso país, pois muito antes de se falar em educação para pessoas sem deficiência, era inaugurada no Brasil uma escola de excelência na educação de pessoas cegas", disse João Ricardo, que fez questão de presentear as convidadas dando a cada uma o exemplar da edição comemorativa do sesquicentenário de fundação do Instituto.

Para Maria Alice, foi uma grande alegria  ter tido a oportunidade de compartilhar a história de sua família no Dia Nacional do Braille.  "Foi muito prazeirosa essa tarde passada com vocês,  com os alunos do ensino técnico aqui no Instituto, e ver que depois de 165 anos o Instituto Benjamin Constant continua vivo.  Como representante da quinta geração da família de Xavier Sigaud e de sua filha Adélia, tenho muito orgulho de estar hoje aqui, participando dessa festa", disse a professora.

A solenidade encerrou com a apresentação do aluno Ismael Marques Ferreira, aluno da primeira turma do Curso Técnico em Instrumento Musical Integrado ao Ensino Médio.  Ele se acompanhou ao piano cantando três músicas escolhidas a dedo para o evento, tal a adequação delas ao IBC e às pessoas nele formadas: Tocando em Frente (Almir Satter), Coração de Estudante (Milton Nascimento e Wagner Tiso) e Para Não Dizer que Não Falei das Flores (Geraldo Vandré).  

"Emocionante! Foi inédito para mim ouvir a história de vida da família Sigaud", disse a técnica administrativa Grasielle Lopes, da Divisão de Desenvolvimento e Produção de Material Especializado (DPME).  A pedagoga Cristina Moraes, defensora do resgate do papel de Adélia Sigaud na história do Instituto e do ensino do braille no Brasil, também elogiou o evento.  "A convidada esclareceu coisas interessantíssimas para quem adora história", disse.

 "Eu achei muito linda a solenidade.  Fiquei muito emocionada em ouvir a história do IBC, a nossa casa, o lugar onde em ingressei com oito anos e onde eu conquistei tudo o que tenho hoje", disse a professora Geni Abreu, para quem o Dia Nacional do Braille deve ser sempre comemorado.  "O Sistema Braille é  fundamental para a educação do cego e  precisa ser prioridade do Instituto", completou

O Dia Nacional do Braille também foi assunto de duas entrevistas concedidas pela professora Maria da Glória de Souza Almeida às rádios Super Rádio Brasil e Rádio Rio de Janeiro.

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